quinta-feira, fevereiro 18

Ato I - O Primeiro passo

É facil reclamar de como a vida se apresenta, de como é grande um muro, de como as pessoas não entendem, de como tudo poderia ser mais bonito e utópico; Difícil mesmo é manter uma postura vibrante e positiva, tentar resolver seus problemas, encurtar distancias e mirar alto.
Segundo passo.
Mas como manter uma atitude positiva?De onde vem a vontade de seguir em frente?Como toda boa resposta,basta um pouco de introspecção para ser descoberta.Essa vontade é nada mais nada menos do que uma expressão direta dos pensamentos projetados naquele momento.
Uma corrida numa rua qualquer a pé, se o pensamento na hora for negativo (nossa que cansaço, não aguento mais) então rapidamente seu corpo obedecera sua mente e acabará parando de correr, entretanto se o pensamento for positivo ou se a mente estiver quieta seu corpo não será desmotivado pelas barreiras criadas a partir de pensamento.
Terceiro passo.
Fácil é desistir de correr,criar barreiras negativas de pensamento para que não se consiga algo, muito fácil porem pouco prático já que desistindo não se chega muito longe.Mesmo que o esforço seja extenuante e pareça impossível  o ideal é que se tente o máximo possível, as vezes parece inútil ou desnecessário, mas uma mente quieta é melhor do que uma mente que repete algo que não ajuda.
Quarto passo.
Tudo que o corpo precisa no quesito força de vontade é de si mesmo e mais nada toda a força do mundo está dentro de cada ser humano, isso nos torna exatamente o que nós queremos, mesmo alguns gastando com esforços diferentes e as vezes até contra-producente, todos temos algo que somos bons, seja em malabarismo,trabalhar, tocar algum instrumento ou qualquer outro modo de passar o tempo.
Quinto passo,Muro.

Depois disso cai a cortina vermelha e o primeiro ato acaba. Com uma salva de palmas por educação e um sorriso amarelo

Abraço
Do palhaço que escreveu

quarta-feira, fevereiro 17

O outro lado do giro

O bastão em chamas girando, o cheiro característico de querosene, o barulho do fogo em rotação.Tudo é muito bonito dos olhos da platéia, até a fumaça preta faz parte do espetáculo, até mesmo os erros.Mas dos olhos do malabarista é bem diferente.
Um malabarista experiente sabe que a platéia não gosta de ver os infinitos truques que ele pode fazer mas que na verdade a platéia adora ver um erro, ver o bastão girando sem controle por alguns momentos e o medo toma suas mentes. Mesmo sabendo que o perigo é pequeno ninguém fica a vontade com duas bolas de fogo girando livremente, ainda mais quando elas resolvem rodar em direção a você.
Cada mínimo movimento deve ser primeiro pensado calculado e medido para caber no tempo em que o bastão fica no ar, um segundo a mais e ele sai do seu eixo e espirala para o chão.Contudo cada movimento feito sem erros cria uma sensação de conquista, uma sensação de que todo o treino valeu a pena mesmo que por alguns momentos.
Uma platéia boa é uma que nunca tenha visto o espetaculo antes, isso os deixa mais crédulos e inocentes, porém quanto mais crua é a platéia mais esforço é preciso para manter sua atenção na apresentação, mas nada que algumas manobras bonitas não resolvam.
Mesmo que a platéia aplauda e solte gargalhadas honestas do show de sinestesia, quando a madeira acerta o chão é que se vê os mais exigentes, mais invejosos e talvez os maiores apreciadores da arte abrirem aquele sorriso escondido, calado quase imperceptível quase que dizendo "Era só uma questão de tempo".Um gesto simples de inveja ou de superioridade falsa.Nesse simples ato é que se vê a natureza humana,no fundo não querem ver o truque dando certo, provavelmente já o conhecem, mas querem ver tudo dando errado,o malabares sair em espiral até o canto do picadeiro incendiando todo o circo.
Um espetáculo é feito pelos seus mais maravilhosos truques mas só é único pelos seus defeitos, ou seja por mais que o malabares gire, a graça mesmo está em rir de quando ele está parado, assim como quando ocorrem acidentes em corridas, é bem mais divertido ver um homem correndo de fogo invisível do que carros girando por um circuito ovalado.
Assim como todo bom palhaço a platéia gosta de ver o circo pegar fogo, de coisas dando errado. Mas em alguns circos é fácil de ver mágicos que usam disso para impressionar ainda mais com um truque talvez não tão grande, se parecer que a serra foi trocada e a assistente foi serrada ao meio de verdade então o espetaculo será de primeira linha.
Em uma analise mais a fundo o malabarista tem de se preocupar não só em fazer seu trabalho mas também em agradar o publico que o assiste e o motiva a ir para a frente, do que seria o malabarista sem sua platéia e o que a platéia assistiria sem o malabarista? Os dois lados da mesma moeda.

No fim do espetaculo só ficam algumas coisas: As lembranças do espetaculo, um palhaço cansado, uma platéia satisfeita e o cheiro do querosene. Depois disso algumas moedas são jogadas junto com elogios e a cortina vermelha cai sem que seja incendiada e alguns voltam pra casa com a certeza de que da próxima vez o malabarista vai pôr fogo no circo.

segunda-feira, fevereiro 15

O Salão de festas

Tudo começa com a música calma e constante que leva todos para um lugar distante, uma daquelas músicas que parece familiar, sem cantor, apenas os instrumentos dançando em harmonia com as pessoas no salão, tudo muito colorido e cheio de vida.
A festa parece estar simplesmente perfeita, sem nenhum problema. Porém o problema é que a festa não tem autonomia e quem dá o ambiente são as pessoas, nesse salão de festas só podem entrar mascarados, um baile de máscaras! Que divertido!
Cada pessoa dentro dessa festa está usando uma mascara diferente, mas como saber quem é quem no meio de tantas mascaras? Afinal uma pessoa poderia trocar sua mascara e assim parecer outra completamente diferente, contanto que se porte de maneira diferente certo?
Claro, todos usamos mascaras metaforicamente, mas o que essas mascaras dizem sobre as pessoas que as vestem? Tem que existir um motivo para um sujeito escolher uma mascara de coringa ao inves de uma de elefante, nada mais óbvio que isso. Mas se cada mascara diz um pouco sobre a pessoa que está vestindo ela, se uma pessoa tem várias mascaras portanto ao observarmos atentamente cada uma dessas mascaras é possível descobrir mais do que o proprio rosto da pessoa diz.
Como um espelho que reflete uma imagem virtual de um objeto real, as máscaras metafóricas refletem uma necessidade ou até mesmo uma vontade da pessoa se expressar, seja escondendo o seu rosto para assumir um papel ou tirando uma mascara da frente por um momento, toda troca de mascaras deixa o rosto do mascarado nú por alguns instantes e é nesse momento em que se pode ler as intenções de uma pessoa.
Entretanto nenhuma mascara é perfeita, é preciso dois buracos para os olhos.Mas o que esses buracos significam metaforicamente?Essas vazões nas mascaras nos mostram muito sobre a personalidade real, já que atrás da máscara está a face verdadeira, e são em ações mal pensadas , reações instintivas e palavras mal-medidas que se percebe quem realmente é a pessoa.
E depois de algum tempo as mascaras caem, todas, sem exceção  com ou sem maiores problemas mas sempre acabam caindo. Após suas quedas as mascaras nos revelam uma ultima coisa: A velocidade com a qual a pessoa troca de máscaras, porque isso mostra o quanto essa pessoa está acostumada a passar por situações aonde suas máscaras são derrubadas ou arrancadas a força.

Depois disso...são algumas taças de vinho, uma dança divertida, algumas risadas e quem sabe um final satisfatório e quem sabe algumas cotoveladas para os pouco afortunados.