quarta-feira, dezembro 28

Em uma de minhas andanças, vi um mendigo.
Só isso.

domingo, novembro 20

O mesmo

Numa rua suja,
Imunda, na verdade.
Incrivelmente podre.
Eu percebi que algo havia mudado.
Não sei o que era,
Mas eu percebia o mundo de um jeito diferente.
Andei pela rua toda.
Talvez eu houvesse mudado,
Fosse outra pessoa.
Finalmente havia conseguido.
"Por favor, senhor
Onde fica o metrô?"
Ele disse
"Metrô? Meu deus, cara
Fica três ruas pra lá."
Sabia que havia algo errado.
Eu errei a rua.

terça-feira, novembro 15

Pérola para poucos

    Outro dia enquanto eu andava na rua, vi um sujeito pedindo dinheiro. Como de costume eu não dei nada para ele. Não gosto de pensar que tem gente ganhando dinheiro fácil assim.Certo, ele realmente precisa de alguns trocados. Mas não vejo ele tentando fazer nada além de mendigar algumas piedades. Não demorei mais do que alguns passos para encontrar um diamante jogado no chão. Logo ali, perto do pedinte. Várias pessoas passavam por ele, mas ninguém fazia absolutamente nada.
    Eu me abaixei, peguei e ergui contra o sol. Quando o brilho da jóia se espalhou pela rua, todos pararam para olhar. Alguns diziam que era deles. Mas eu sabia que não era, isso bastava para mim.
    Talvez não fosse meu também, mas fui eu quem encontrou, pegou e trouxe aos olhos do mundo aquele diamante. Talvez nem fosse um diamante de verdade. Talvez nem valesse um centavo furado. Mas para mim nem importava nada disso.
     Eu havia encontrado uma jóia na rua. Criado basicamente uma jóia a partir do éter. Mesmo que não fosse verdadeira, valeria a pena.
Ninguém olhou para o diamante no chão, nem o mendigo que estava do lado dele. Nem ninguém. Depois que Colombo quebrou o ovo, todo mundo viu que era fácil colocá-lo de pé. Mas até isso ser feito, era impossível.
    Este diamante pode até ser falso. Mas que ficou bonito. Isso ficou.

segunda-feira, outubro 31

Ato Três, Cena Um


Mais um sonho com o meu quarto.

Fico deitado por algumas horas
Procurando uma saída
Para o labirinto da minha cama.

Não consigo.

Sinto que se passam anos comigo e eu aqui,
Na cama, sonhando acordado.

Vou ao banheiro e ligo o chuveiro.
Cachinhos dourados.
Olho o espelho embaçado.
Vejo meu rosto turvo e pouco familiar.
Olhos de cigano oblíquo e dissimulado,
Mas estes nada tem a ver com os mares.

Os meus lábios sufocam um grito,
Minhas mãos estrangulam a pia e
Meus olhos, ódio.

Dispo-me da minha alma e vou até o chuveiro,
As lágrimas dele pingam por dezenas de olhos
E escorrem pelo meu corpo.
Meus sonhos saem com água e sabão
Depois rastejam moribundos até o ralo.
Meu corpo cai no chão,
Como se cai na realidade.
Minha cabeça tomba para trás,
Eu gargarejo um gemido sufocado.

Fecho os olhos e me afogo em mim.
Aqui estou sujo,
Aqui aonde as lágrimas não chegam,
Nem sabão,
Nem nada,
Nem ninguém.

As gotas suicidas saltam do chuveiro.
Parte de mim vai com elas
Em uma viagem líquida
Pelos infinitos agoras
Até um ralo de sete palmos.

Enquanto isso, eu continuo sentado.
Observando os caminhos que nós fazemos até lá.
Estático e pingando vida.

sábado, outubro 29

Uma noite

Uma garrafa de conhaque e um quarto escuro.
Tudo o que pode ser ouvido: o barulho do ar na garrafa,
Um eventual suspiro, o líquido descendo angustiado na garganta, grosso, e
Algum barulho crepitante da brasa de um cigarro.

Os braços apoiados nos joelhos,
A garrafa entre os pés e
Mil frases presas na queimação do drink.
O copo já não existia, e o que resolvia o problema era o gargalo.

Por algum mistério a cabeça pesada levanta,
Olha em volta à procura de um motivo.

Nada.

Novamente a cabeça cai entre os ombros como um pênis murcho.
Nada é mais estúpido que o sexo nessas situações.

Sem nenhuma perturbação.
A calmaria antes da tempestade,
O céu fica mais negro antes de nascer o dia.
Mil outras frases prontas foram vomitadas por sua consciência,
Como mais tarde talvez faria sua boca,
Contra-argumentando todas as bobagens que sua mente engolira.

Algumas vezes a paz perturba mais que a guerra

Naquele corpo
A paz era uma guerra interna.

terça-feira, outubro 25

Poema impossível em inglês


Estou cansado
E estou cansado de estar cansado.
Não, o verbo está errado.
Não estou cansado de “estar”,
Estou cansado de “ser”.
Estou cansado por ser
Um ser qualquer
Que se cansou de seu ser.

Seja lá como for,
Decidi que seria
Não importando como fosse.
Então sigo cansado,
E cansado é como sou, estou,
Serei e estarei.

domingo, outubro 9

De olhos abertos

Vi além de mim e
Vi você

              Vi além de você e
Vi a mim

Vi a mim em você
       Via você em mim

           Vi você tão bem
                 Que vi a mim
  Também.

                             Mas vi nós tão bem

Que vi que seria melhor
             Fechar os olhos
E ver o nada entre nós dois

domingo, outubro 2

Omniverso

Eu olho para o céu.
Ele é tão antigo...
Suas barbas brancas
Flutuam como nuvens.

Olho para os prédios.
São imponentes e duros.
Como seus corações de pedra,
Que bombeiam eletrecidade.

Olho para mim.
E me vejo.
Mas sou apenas passageiro
Neste ônibus cósmico dos tempos.

O céu novamente.
Quantas gerações olharam para ele?
Quantas olharão?
Mesmo assim, ele está fadado ao fim.

Os prédios frágeis estão pendurados no planeta,
Que com um espasmo muscular
Colocaria-os todos no chão.

E eu...

Eu, os prédios e o céu,
Um dia não seremos mais
Que lembranças remotas na memória do Universo.

terça-feira, setembro 27

Teatro em progressão

Vou até o espelho,
olho profundamente
Nos buracos dos meus olhos.
Rasgo o primeiro véu
De carne

Não sou eu,
Atrás dessa máscara
Tem um rosto de cera,
Marmóreo,
Estático.
A raiva cresce
e a cera se derrete
pingando na pia.

Ainda não sou eu
Embaixo da cera.
Este rosto é de ferro,
Frio e duro,
Aqui estão as lâminas
Dos meus olhos.
Elas rasgam tudo com seu fio de soslaio.
O peso é insustentável,
E a máscara cai.

Onde estava o ferro
agora são chamas,
O meu rosto de magma,
O meu rosto ígneo,
Passional.
Um grito enraivecido,
As chamas se projetam em labaredas
Da minha boca.
O meu rosto se esvai
Em vapores de sensações.

Agora a máscara é de madeira,
Mas não sou eu ainda.
Minha inquebrável cara de Mogno.
Os cupins saem do meu nariz
E mastigam a minha face.
Embaixo da madeira
Tem um semblante enfaixado.

As faixas escondem as cicatrizes
Que os tempos cortaram em meu rosto.
Marcas em cima de marcas
E tempos em cima de tempos.
Desenrolo as faixas lentamente,
Deitando-as na pia.

Olho para o espelho,
E vejo o meu corpo decapitado.
Ainda não sou eu.

quarta-feira, setembro 14

Aqui Jazz um poema

O meu coração
Bate em ritmo de jazzy blues
Melancólico.
Lembro de Julie London,
Pela qual I cried a river
Sem que houvesse um sentido
E me afoguei no meu rio,
E me afoguei nela
E em mim.

É Summertime.
Segui o conselho
De abrir minhas asas e voar pelos céus.
Esqueci de tudo.
Segui minha vida
Pelo sunny side of the street.
Why didn’t i do right
E fiz tudo como deveria ser feito?

Não importa,
Afogo-me em um trago,
Um copo.
Me afogo sozinho no mundo.

sexta-feira, setembro 9

Não tenho tido tempo,
Para ver a Vida passar.
Olho adiante, no Futuro,
E só vejo escuridão.
Não deu tempo de a Luz me alcançar.
É preciso esperar o tempo passar.
É preciso ter paciência,
Para que eu não fique perdido
Entre dois momentos
Que não são.
Tempo,
Tempo,
 Tempo.
Eu preciso dar tempo
Para que o Tempo possa me alcançar.
É preciso ficar de tocaia
E emboscar o Tempo no momento certo,
(...)

sábado, setembro 3


As luzes anêmicas clareiam
As dúvidas desse quarteirão.
Os passos leves marcam a rua.
Não existe nada no mundo
Mais revigorante
Do que um passeio solitário.
Algo me prende nesses pensamentos.
Os pensamentos estão pesados
Como caminhões lotados de qualquer coisa.
Eu sou um caminhão.
Preciso de diesel,
Mas não exisem postos.
As sombras das pessoas crescem ao meu redor,
Depois somem embaixo delas.
Deve haver uma resposta,
Para uma pergunta que não sei qual é.
Então os neons brilharam em cima de mim,
E iluminaram o meu caminho com suas cores.
Uma série de sinais vermelhos
Esclareceram-se em verdes passagens,
Os carros pararam,
E eu passei.
Não sei qual é a pergunta,
Então ela não existe.

sexta-feira, agosto 19

pedaço de poema


O íngreme barranco da Vida
Que finda em um abismo.
A ladeira que se começa de quatro
E termina por cair
Deitado de costas na Escuridão.
O despenhadeiro escorregadio dos Tempos,
Que sob a ótica do vivo,
Não tem fim,
Mas existe um final,
Que não pode ser percebido
Daquela Escuridão dentada
Que engolirá tudo aquilo
Que puder degustar com sua
Língua áspera de Lima Temporal.
(...)

quinta-feira, agosto 11

As pessoas vivem depressinha
Eu, depressão.

quarta-feira, agosto 10


A Inspiração veio aqui
De manhã.
Trouxe um café, pães e manteiga.
Tivemos um bom desjejum,
E conversamos muito.
Fazia muito tempo que não nos víamos
Por isso colocamos a poesia em dia.

domingo, agosto 7

São paulo São paulo

  Gosto do silêncio da madrugada, ou do jazz rasgando os primeiros sons da manhã quando nada existe. Aos poucos aparecem os carros e ônibus. O som metálico dos cavalos de potência relinchando ao brecar.

  Sinfonia urbana.

  Um cachorro late ao longe. Um grito rasga o silêncio, mais uma mulher é atacada na Paulista. Os bocejos são quase audíveis, junto com as cafeteiras estalando.

  O cheiro de café é sentido a quarteirões de distância, em todos os prédios. O gosto amargo da poluição é maquiado com algum açúcar. O frio e a garoa ameaçam um dia difícil, mas o povo levanta, pra fazer o Brasil, ganhar dinheiro, sustentar a família. Sabe como é proletário, ou trabalha ou trabalha.

  Faz 8º em São Paulo, o frio queima. O sol não vem hoje. Vem sim, mas vem mais tarde, prefere cochilar até a última hora possível. Alguém vai acordar o Sol. Ele está atrasado hoje. Antes de seguir iluminando o mundo, ele toma um gole de cachaça, para se preparar.   (...)

segunda-feira, agosto 1

Backspace


Eu ouço o último grito da madrugada,
O agonizante berro do hoje
Que morre para dar lugar ao amanhã.
Aquele tênue momento
Em que se transita de um dia para o outro,
11:59 – 00:00
Coltrane acompanha o grito com choros saxofônicos.
A melodia mancha tudo com um tom agudo.
Esta transição
Tem um quê de melancolia.
Na cidade tudo continua igual,
Mas esse dia...    (...)

só uma palhinha.

domingo, julho 24

Santiago de Sant'anna X Cain

Tomo sua mão
chamo-lhe para versar
esta valsa escrita.                      Santiago
Juntos versaremos
essa sensação valsada.

Roubo sua atenção,
furto do tempo alguns instantes,
para fixá-los em versos encapuzados.    Cain
Escrever é um crime,
um assalto à mão armada.

sábado, julho 23

Clique

Sentado em uma cadeira,
vejo o mundo todo com um clique.
Qualquer assunto do conhecimento,
clique.
Quase todas as ruas, avenidas ou cidades,
clique.
Com direito a visão em 360 graus.
clique.
Consigo ouvir quase todas as músicas,
clique.
Não é preciso mais do que isso
para acabar com uma vida,
clique.
Ouvir o último lançamento japonês,
clique.
Tudo com apenas um dedo.
Mesmo com tanto poder,
sob minhas frias mãos metálicas,
clique.
Não sei o que farei em seguida.

terça-feira, julho 19

Memórias cinzas

Um cigarro,
uma ideia,
tão pouco
quase nada.

Um trago,
eu trago
o mundo todo,
tão pouco.

Um cinzeiro
de memórias
que desaparecem
ao soprar do vento.

Mais um cigarro,
mais uma ideia,
um pouco mais
de tão pouco.

Queria um copo,
uma dose,
uma garrafa.
De que?
De água?
Pra que?
Sem motivo,
vou acender mais um cigarro.

Mais um pouco
de nada,
tudo que me faz falta,
quase nada.
Um cigarro,
uma lembrança,
um dia,
uma vida toda,
uma vida à toa.

Tão pouco,
um cigarro,
tudo que há
para ser dito
no silêncio
eloquente
da noite muda.

Muda a noite,
eu não mudo,
o tempo passando,
e meu cigarro queimando,
queimando memórias
jogadas junto às cinzas
no meu cinzeiro.

O cinzeiro está cheio
e lembranças transbordam.
Não podendo ser jogadas fora
somente volta à minha memória.

domingo, julho 17

Fragmentos de alguém

Eu fui um dia importante.
Radiante, cheio de sorrisos,
tanto meus quanto dos outros.
Era aplaudidamente ingênuo,
de um dito talento brilhante.

Eu fui um dia, mas como
os dias são seguidos de noites.
Não existe nada mais claro
que o Eu-Dia vire
eu-noite.

Hoje, sou noite esquecida
entre tantas outras,
sou iluminado apenas por brasas de cigarro.
Pequenas pontas brilhantes perdidas
sob tanta escuridão sóbria.

Esclareço que como noite
não sou mais nem menos do que antes.
Não tenho a presunção de ser
todo aquele resplendor que não sou.
Não sou bom, nem ruim, sou noite.

sábado, julho 16

Tome um agrado homem-cão.
Pare de latir.
Agora sorria,
e abane o rabo.
Deite, finge de morto.
Bom garoto.

quinta-feira, julho 14

Bastilha

Às armas, irmãos!
Não aceitemos injustiças!
Não existe nada pior do que ser subjugado.
Principalmente quando se tratam de crápulas.

Às armas, irmãos!
Vamos todos rumo à morte
e ao Sucesso, Futuro e à Igualdade.
Compartilhemos Ideologias, e não desgraças.

Às armas, irmãos!
Que ainda é tempo.
Que somos muitos.
Que somos imbatíveis!

Às armas, irmãos!
Não existe nada nesse mundo
que possa parar o povo todo
buscando um objetivo.

Às armas!! Às armas!

quarta-feira, julho 13

"Não vai mais dar certo"

"Não vai mais dar certo."
Conhaque.
Aquelas palavras rodavam na minha cabeça.
O mundo girava um pouco.
Não. Eram as minhas palavras.
Em que sentido eu usei elas?
Acho que era pra dizer que era um fim.
Conhaque.
O que será que eu quis dizer...
Hummm...
Fósforo, cigarro, fumaça.
Devia ser o fim de uma fase na minha vida...
Diabos, não consigo lembrar.
Conhaque, água.
Meu cérebro faz milhares de sinapses incontroláveis.
Fumaça, cinzeiro.
Já sei, era um "pé na bunda".
Não. Não era isso.
Deve ter a ver com algum pseudo-poema.
Humm...
Cigarro, fumaça.
Não vai mais dar certo, eu não vou lembrar...
Ahhh! Era isso!
Brinde à lembrança.
Garrafa, copo, conhaque.
O que será que não vai dar certo?

Poetas por todos os lados

Como existem poetas hoje em dia!
Poetas em todos os cantos
e são tantos que é impossível saber o nome de todos.
Eles vem de todos os lugares,
de casas boas, ruins, dentro de ônibus,
debaixo de viadutos, das chaminés, das torneiras,
inundando tudo com uma correnteza de palavras confusas.
Contudo algo me faz sentir um vazio em suas frases.
Atrás dos versos, nas entrelinhas, nos pensadores.
Não saberia dizer o que é, mas está ali. Escondido dentro deles.

É uma invasão de poetas, uma revolução letrada.
Eles tomaram o mundo com seus gritos poéticos,
seus escritos incompreendidos pela atualidade.
Que seja, eles tem tanto direito quanto qualquer um.
Afinal quem seria capaz de mudar suas convicções,
suas missões tão importantes, suas ideologias...
Que sejam Poetas! 

Existem poetas de todos os tipos:
Garotos que acreditam saber de tudo,
e fazem as melhores poesias do mundo,
para eles.
Malucos que escrevem qualquer bobagem metafísica,
que é ininteligível, até por eles mesmos.
Quarentonas que escrevem qualquer mensagem bonita e positiva
que consiga ser colocada em versos.
Intelectuais que usam palavras dificílimas, 
e se perdem em seus discursos,
mas nunca chegam à conclusão alguma.
Jovens ingênuos que fazem versos
esperando que o sucesso bata à porta.
Poetas bêbados que não pensam em nada,
e são mais bêbados do que poetas.

E eu. Eu perdido nessa corrente literária,
sendo arrastado por movimentos até a praia
até o nada, até o fim, até lá.
Eu que pouco chego a existir,
que não me encaixo em lugar nenhum,
estranho até aos estrangeiros.
Perdido dos perdidos,
retardatário, bizarro, incapaz de ser 
qualquer coisa além de ridículo.

Mesmo assim, sei que não sou o único.
Não sou único, em nenhum sentido.
Será que eles sabem que são como eu?
Será que eles conseguem ver, que chegam a beirar...
Não, não importa.

O que incomoda é ver que eles precisam do apoio
dos colegas, que também são poetas, e de seus elogios.
Os elogios são o alimento desses poetas,
são tão necessários quanto o ar, ou coisa que o valha.


O estranho é ver que a maior parte dos "poemas"
não dizem nada,
absolutamente nada!
Isto diz algo, 
que há poetas por todo lado,
mas que existem poucos textos dignos de serem poemas,
ou que existem escritores em toda parte,
mas poetas de verdade são poucos.


domingo, julho 3

Sob um cachecol e um gorro,
escondo meu rosto.
Culpo o frio.

Sob regras de conduta,
escondo meus modos
Culpo os outros.

Sob uma pele intransponível,
escondo-me por inteiro
Culpo a vida.

sábado, julho 2

Ah! Sol criado pelo homem!
Luz frágil, que se apaga
pelos caprichos
de um dedo.

Que torna a noite clara
pontualmente
ao longo da rua.

Consegue ser essencial,
mesmo sendo efêmera,
elétrica, limitada,
tão tênue, tão... Humana.

quarta-feira, junho 29

Ciclos

... no descompasso do mundo.
Descobrindo o mais interno de si,
um universo de possibilidades,
infinitamente maior 
do que as aparências,
mas mesmo assim, perde-se o sentido...

... no descompasso do mundo.
Descobrindo o mais interno de si,
um universo de possibilidades,
infinitamente maior 
do que as aparências,
mas mesmo assim, perde-se o sentido...

               .
               .
               .

domingo, junho 26

Dúvidas

Ah! perguntas incessantes
para onde vão quando somem?
E suas respostas?
Para onde vão todos os pensamentos?
Em que buraco negro se escondem?

Onde fica acumulado tudo isso
que eu penso com tanto afinco?
Para que me serve tanto pensar?
De que me ajuda tantos amores?

Qualquer coisa!


Em que abrigo posso eu me esconder,
para despistar os mais internos medos?
Onde foram parar todos aqueles sentimentos?
Diga-me, aonde está tudo?

Deve haver algo que me acalme!
Por algum tempo.
E depois? Novamente a procura?
O álcool? Remédios? Sexo?

Nada! Nada!!
Não existe coisa alguma que me salve
deste questionamento incessante.
Não existem respostas?
Apenas perguntas?

Mas que inferno!
A vida é isso.
Um emaranhado
de perguntas e respostas e
uma procura de sossego.

A vida é um inferno, sem dúvida.
Era uma vez, um cigarro.
Cansado de viver, pegou um isqueiro e 
ascendeu-se para o céu 
em forma de fumaça. 
Deu-me um trago.

Beleza

Tão bela e única.
Sozinha, ali.

Brilhava, ali.
Sozinha.

Era perfeita, feita em molde.
Linda, ali sozinha.

Era uma latinha, no lixo.
Ali, sozinha.
A Cidade é grande,
mas as pessoas
são pequenas.

sábado, junho 25

O excesso de zelo,
é o medo de perder.
O excesso de palavras,
é o medo de não fazer sentido.

Promessas

Pois prometo não concordar,
nem comigo!
Prometo que não escreverei versos,
e sim palavras. 
Prometo principalmente 
fugir da poesia. 
Fugir como o diabo da cruz.


Dê-me cerveja, pois quero
esquecer da minha máscara,
quero esquecer do meu rosto.


Dê-me cigarros, entupindo-me 
de fumaça e veneno
estarei feliz, e sobretudo quieto. 


Principalmente, calado. 
Sem um verso, nada. 
Quero a palavra parada.
Quero o silêncio, de som e mente.

quinta-feira, junho 23

Aqui

Não importa aonde estou, 
sempre estive aqui. 
O mundo girou,
embaixo de mim

segunda-feira, junho 20

Anoiteceu,
anoitecia,
anoite-seria,
se não fosse o dia
teimar em nascer.

Libertação

Esta casca que me reveste
pútrida e estranha
não é nada mais que
pele morta e fome

Cansado dessa
embalagem de osso
bizarra e medonha,
cheia de dores e vida.

Como eu gostaria de
me libertar deste casulo
e transcender pelos céus
voando livremente.

Impossível.
me resta apenas
saborear a decadência
de corpo e mente.

domingo, junho 19

Manchete

Abro o jornal da manhã,
o sangue dos mortos de ontem
esguicha no meu rosto.
Atônito, as páginas grudam em meus dedos.
Não posso larga-lo.

Os olhos das crianças mortas,
de ontem, fitam-me profundamente.
Parecem ver minha alma,
choram silenciosas em meus ouvidos.

As crianças vivas, e pobres,
estendem as mãos para que as ajude.
Agarram as minhas roupas e me puxam
com toda a força de seus finos braços.

Querem comida.
As crianças querem comida!
Agora é tarde, são muitas e eu sou puxado
para dentro do jornal, da miséria.

A última sensação
são seus dentes,
devorando os restos,
restos de quem?

sábado, junho 18

A Terra

Ame o chão, assim como ele o ama.
beije seu pedaço de terra
com todo o carinho que tens.

Olhe para baixo, lá está ele.
Parado, imenso, suportando-te.
Carinhoso, paciente, cheio de amor e espaço.

Fuja, corra, não tem para onde ir?

Não precisa de rumo, apenas vá.
Vá para longe!
Ele lhe carregará para lá.
Longe de que?

Veja que não importa,
que em toda parte o chão lhe espera.
Corra, mais rápido, pise duro.
Esmague seu destino com a sola do sapato,
Pule. Liberte-se do chão por algum tempo,
depois caia com mais força
esmurre o paciente chão com seu peso.

O seu destino é o chão.
Você sabe melhor do que ninguém,
primeiro está sobre ele,
depois sob ele,
a vingança terrestre.

Será esmagado pela terra 
como esmagou-a em vida.
Eternamente prisioneiro 
de um cárcere de madeira.
Sem chance de liberdade.

O chão que nunca esteve tão perto, 
tão dentro, tão sob, tão sobre.
Tão somente o chão
coube para os seus pés,
que nunca saíram dele.

Aproveite, vamos, agora é cedo ainda.
O chão ainda suporta sua vida.
Levante, vá embora, pare tudo que está fazendo,
saia desta sala, vá para longe.

Beba, celebre, fume, grite.
Faça tudo que sentir vontade.

Depois volte ao estado inevitável de silêncio,
e ouça o que o chão tem pra lhe dizer.
Ouça-o chorar seu desamor,
lamentar os pisões, e a sola dura.
Reclamar de sua vida dura,
de sua obrigação de
Aguentar o peso de tudo.

Ame o chão, como a si mesmo.
Ame-o que lhe é obrigação,
aceite, o chão é seu verdadeiro amor.
Deu o apoio para que fizesse tudo.
Deu seu amor incondicional.
Sempre, sempre, sempre
o chão estará ali para você.

Mesmo quando sumir seus melhores amigos,
mesmo quando você não quiser mais existir,
quando todos estiverem mortos,
e você for o único ser pensante da terra,
ou o sol não quiser mais voltar,
o chão estará ali, estático, firme.

Esperando que você acorde,
para lhe segurar os sapatos.
Esperando que você caia
de um salto de fé.
Esperando, pacientemente,
com a calma de um planeta,
um velho de bilhões de anos.
Esperando o dia que lhe terá nos braços.
em um abraço apertado de amante,
Sufocante, claustrofóbico.

Aquele dia em que você não se manterá de pé
e precisará deitar-se, depois fechar os olhos
lentamente, até que o pensamento se desfaça,
e o chão te engula lentamente,
palmo a palmo, sete vezes.
e você sumirá, pra nunca mais
ser visto ou ouvido.
Será parte do chão, e finalmente
ele terá seu amor junto de si.
Para sempre.

Do.

Completamente cego. O rapaz jogou sua bengala fora. Abriu os olhos. Viu aquela pasta negra de sua visão. Mascou algumas palavras, e caminhou em linha reta pela rua. Não sabia aonde ia, mas sabia que eventualmente seria atropela...
Em explosões,
vem as inspirações.
As poesias em monções.
Em um lago de introspecção.
A superfície parece calma.
No fundo, é uma matança pela sobrevivência.
O Silêncio eloquente
diz mais
que muita gente.
O chiste da vida,
é a falta de graça. 
Ri por des-graça.
Uma rosa sem espinhos, 
uma moça sem seus brincos. 
As pequenas coisas 
que fazem das grandes mais belas.
Dia a dia,
pouco a pouco.
Uma fantasia,
um grito rouco.
Perceba!
Antes que
a Caverna ceda.
Vida de penitente.
Abstenção
de corpo e mente.

quinta-feira, junho 16

O que se aprende
hoje na escola?
Encontre o x.
Cadê o Brasil?
Me diga por favor
se você viu.

quarta-feira, junho 15

Eu sou um cemtério de segredos.
Em mim, um mundo, secreto.
Eu,calado, nego, enterro.
Um dia serei o túmulo
de mais um enigma.
A minha vida.

terça-feira, junho 14

Aqui jaz um sonho,
embaixo de sete palmos.


Não escorre uma lágrima,
nem foi sentida sua falta. 


Foi apenas um devaneio 
em um cemitério cheio.

segunda-feira, junho 13

Era uma vez, um rei caolho.Mandou furar os olhos de seus súditos.Um dia teve uma filha, com sua mulher cega.Arrependeu-se amargamente,mas...

domingo, junho 12

Trago lembranças
de uma vida rala
e dura,
Tanto peso quanto altura.
os olhos pesam muito,
a vida é clara,
mas a morte vem junto.
Queria menos, mas
tive que ser mais
Sem escolha, a não ser
o sucesso de viver.

Humanos

Nasceram com dentes
para morder.
Nasceram com coração
para sofrer.
Por dois olhos
eu vejo o mundo.
O mundo inteiro
em dois buracos miúdos.

Locus Amoenus

São os dias
sempre mais.
Eu queria
ser menos.
exausto de ser
cansado de soul
não quero mais
saber quem eu sou
Os ecos do Eu
estão em todas as bocas
em uma voz rouca
que já se perdeu.
O prazer de observar
o silêncio
passar
nada digo, só penso

Penso
que um dia vai ser reto
enquanto isso
sigo quieto

Quieto
imerso em sons
alguns maus
outros bons

Sons em sintonia
com a sinfonia
do dia a dia

Numa orquestra
sem futuro
o que me resta
é o silêncio puro

sexta-feira, junho 10

Hipocrisia difusa
aquele que faz
acusa.

quinta-feira, junho 9

Amarelinha

Os sonhos de giz
desenhados no chão.
Eu nunca quis,
mas eles se apagarão.

domingo, junho 5

A Vida toda,
toda a vida,
vida à toa

segunda-feira, maio 23

Nada é tão grave,
que não possa ser agudo.

sexta-feira, maio 13

Espelho

Já faz tanto tempo que
minha sanidade se perdeu.

Hoje sou um espelho.
Espelho, espelho meu,
existe alguem que reflita como eu?

segunda-feira, maio 9

Sorria!

o passado marcado à
ferro quente em minha
pele cicatrizada, mas contente
se pudesse não faria diferente.

De qualquer forma não poderia.
Esqueça, encene e sorria.

Aquário

Nada pela janela,
nada no quarto,
ou na cozinha.

Ê! vidinha de peixe.

sábado, maio 7

Amaveis Netos

É apenas com os olhos abertos
que é possível ver a luz
Não que eu quisesse,
mas eu não consigo decidir

Entre os vermes e os netos,
ver nascer dois olhos azuis.
Não que eu pudesse
simplesmente exprimir.

Toda uma questão e,
quebrar estes tabus,
linhas de sal e peste
que mal estão a existir.

Não que seja possível ver os netos
com os seus olhos azuis.
Sem ao menos que lembrasse
de minha filha a parir.

Meus netos são Robertos
De Bento e Cruz,
que caso se lembrassem,
nós iriamos nos reunir.

Mas por algum fato
que me escapa à luz
da razão, eles se esquecem
e não vem aqui.

Os vermes são meus netos!
Que sugam de meu sangue o pus,
e se eles não me agradecem,
é o seu orgulho a luzir.

Ainda não sabem, os espertos,
que neste mundo eu lhes pus
O quanto me devem.
Quero ver depois que eu partir.

Queria ver as reações dos vermes funéreos,
vestindo os meus olhos azuis,
se então eu quisesse
levantar e ressurgir.

Só para ver como estariam os restos
daquele mundo que eu os impus,
e que ingratamente eles
brincaram de eu não existir.

Não que sejam vermes os meus netos,
não é justo comparar isto que eu expus.
Não merecem tamanho estresse,
os vermes não estão a me ferir.

segunda-feira, maio 2

Exploração

Era um daqueles noticiários,
noticiário sanguinário,
sanguinário porque festeja ao
explorar a desgraça alheia

de Fukushima às crianças,
criança vitima de matança,
matança alheia ao leitor,
leitor na segurança do conforto.

Conforto tirado do povo,
povo controlado,
controlado pelo pavor,
pavor de ser manchete.

Manchete com mil mortos a mais
mas, as alterações gerais, nem se nota
notariam se estivessem a preocupar-se,
e se preocupam apenas depois de ler.

Ler o próprio noticiário
noticiário do muito sanguinário
que explora aquele coitado,
coitado do observador.

domingo, maio 1

O Canibal

Foram absurdos o número de corpos que eu devorei.
Indo de Lear ao Henrique V,
todos aqueles mortos que me deliciei.

Comi as angústias de Clarice
e as retinas de Drummond.
Ouvi o que Dostoiévski disse e
bebi o sangue de Byron.

Devorei os braços de Edgar,
chupei o tutano de Marcelino.
Meireles eu estive a desenterrar,
para me saciar nos seus dedos finos.

Até Ariano Suassuna
que não queria devorar,
mas forte é minha sina
e eu não pude suportar.

Viajei o mundo comendo os miolos
de mortos que não os usavam.
Lambi seus crânios e comi seus olhos,
que a  muito tempo se fecharam.

A terra que cavei para tirar-lhes dos túmulos
foi tamanha que fiz Cidades e Serras,
enfim, cavei meu próprio mundo.
Afim de achar o que não encontrei na Paz e na Guerra.

Sem nunca sofrer do Processo,
Como um Jogador consigo,
sem ser sentenciado a Cem anos de solidão,
fugir do Crime e Castigo.

Foram tantos Carlos, Henrys e Inácios,
que me serviram de alimento,
sustento para meu hábito devasso
de comer o alheio pensamento.

Os nomes que me fizeram,
as partes de seus corpos que me compõem,
Que acabo confundindo o que eles eram
com isto que se expõe.

A Metamorfose de minha imagem
já foi Além do Bem e do Mal,
e não tenho coragem
de me dizer normal.

Sou louco como Nietzsche,
e vou dizendo que sou canibal,
antes que você se irrite
e me acuse de ser Miserável

Fugindo do Admirável Mundo Novo,
para buscar a terra prometida, e
estou convencido que O Corvo
me trará um ramo de oliva.

Nunca chegarei nem perto,
de matar a minha fome por mentes,
de comer a todos que quero, pois
quanto mais eu como, mais me apertam os dentes.

sexta-feira, abril 29

O espantalho

Sozinho no campo de trigo,
meu único amigo
era um corvo,
que dizia "Que estorvo!"

Minhas roupas surradas e
fitando a criatura alada
Ouço e absorvo
seu grasnado:"Estorvo!"

O meu companheiro
rodeava o dia inteiro
com seu sorriso torto
"Que estorvo! Estorvo!"

Eu não tinha destino,
fadado ao exílio
no meio do campo, absorto.
"Estorvo!"

Meus dias sem sentido
resumem-se a espantar meu amigo, e
ao longe seus grasnados tiram meu conforto
"Que estorvo!Estorvo!"

As vezes penso que ele me quer morto
quando olho o corvo,
grasnando meu castigo:
"Que grande amigo!".



E.A.P.

quarta-feira, abril 27

O estrangeiro

Apenas aqui eu vejo sinto e apalpo
os acontecimentos desta cidade
um velho caído no asfalto
espumando epiléptico.
Vejo um taxista quase atropelando uma criança,
em meus passos céticos,
lembro da infantil segurança
e sua inocente ignorância

Vejo mendigos com as mãos estendidas
e policiais com as mãos nos bolsos.
Vejo crianças perdidas
e pessoas ignorando a todos.
Vejo carros apressados,
ouço buzinas incessantes
de motociclistas desvairados
e os passos de apressados caminhantes

É como se eu visse o reflexo
de uma pessoa em todo esse conjunto
que leva uma vida sem nexo
apenas para o vislumbro
de um dia melhor
ou de um dia qualquer
em que se possa supor
que valeu a pena andar a pé

Para ver um dia
em que se veria um motivo
para esta vida vazia
sem pensar no prejuízo.
Como se as pessoas vivessem
iguais aos automóveis para gasolina
mas o que as abastecem
são esperanças de um dia.

terça-feira, abril 26

O frio

Vazio, vazio, vazio
e esse frio interno
coberto de pele.
Sentir-se vazio
e o frio do inferno,
essa lacuna gelada fere.

Impossível escapar deste
vácuo frio e invasor
que deixa torto,
desta peste
de gélida dor
que se espalha pelo corpo.

Vazio, torto e gelado,
sem sentir nada além do frio,
esse vazio que mata,
além de tudo isolado,
buscando o equilíbrio
entre o frio e o nada.
Esse papo de ser
aquilo que sou
vai me levar só
não sei onde vou

segunda-feira, abril 25

Vivamos apenas o presente
Vamos sempre em frente
que o Sol está apenas nascente
Isolamento de contato
O silêncio inato
Estou só, calado e grato

domingo, abril 24

Paz enfim
fui-me assim
enfim o fim

sábado, abril 23

Qualquer dia desses
eu vou parar de dançar
e viver

segunda-feira, abril 18

Aonde está aquela resposta
que eu procurei pelos becos?
Aonde está aquele velho eu
que hoje é apenas eco?
Aonde?

Aonde estão meus amigos
que me disseram ser eternos?
Aonde está a saída daqui
que parece ser o inferno?
Aonde?!

Aonde está aquele lugar
que costuma ser meu canto?
Aonde está aquela vaidade
que curava o meu pranto?
Aonde?

Aonde está minha boca
que já não diz nada?
Aonde está a minha força
que se perdeu pela estrada?
Aonde?!

Aonde está aquela inocência
que hoje está perversa?
Aonde está tudo
que me fugiu tão depressa?
Aonde?!

Aonde está meu oasis
que floresce neste deserto?
Aonde está o meu sono
que me mantem desperto?
Aonde!?

Aonde está o meu corpo
que não este que visto agora?
Aonde está o meu rosto
que me cobrira outrora?
Aonde?


Aonde estou eu
que estou confuso?
Aonde está você
que me deixou obtuso?
Aonde?



Aonde está minha calma
que fugiu e me deixou assim?

Aonde está minha cabeça
que se perdeu enfim?
Aonde...?

Aonde está a felicidade
que fugiu rancorosa?
Aonde está a morte
que é sadicamente piedosa?
...aonde...

domingo, abril 17

Conta corrente

O preço do Perdão é o silêncio
O preço da Beleza é a vaidade
O preço da Razão é o hospício
O preço da Sabedoria é a idade

O preço da Certeza é a dúvida
O preço do Amor é o desafeto
O preço do Sonho é a medida
O preço da Inovação é o obsoleto

O preço do Conhecimento é a tolice
O preço da Pureza é a ingenuidade
O preço da Vida é a velhice
O preço da Prece é a imobilidade

O preço da Humanidade é a consciência
O preço do Sentimento é a negação
O preço da Pressa é a desistência
O preço da Vontade é a determinação

Maktub

Aquilo que está escrito
é a necessidade do escritor
de expressar o não-dito
em se tratando de dor

Ensimesmado

Sou apenas palavra
E tenho direito
de ser palavra-sujeito
Sem dizer nada.

segunda-feira, abril 11

Emoção de Nanquim

A tinta da poesia
No dia a dia
Perde sua alegria

A dor e a tinta
Como que pintam
De Nanquim

Negro como graxa
Das máquinas
Ou o fundo das pálpebras

Nada é tudo
Vazio profundo
Agudo e mudo

O escapismo
Do abismo
No ostracismo

quarta-feira, abril 6


Corpo da mente
Mente no corpo
Seria o corpo
Boneco da mente

Somente a mente
Dentro do corpo
Somente o corpo
Colado na mente

Queria a mente
Fora do corpo
Queria o corpo
Fora da mente

Mente somente
Mexe o corpo
Queria mente
Somente.