segunda-feira, janeiro 31

O grande assunto

Como um dente de leão
Delicado e lindo
O assunto segue único
Feito de mentes em uníssono
Mas com um comentário mal feito

Um vento implacável
Erro imperdoável
Todas as sementes dispersam
Cada uma pro seu destino
Perdidas nas brisas internas

Maldita frase mal dita
Mata o frágil assunto
Cria um silencio desgraçado
Mas que renova e recria
Novo assunto, dente de leão de novo

Até que venha outro vento
Se dispersem os integrantes
Retirem-se do cabo do assunto
Pra pensar, voar sozinhos
Procurando um chão confortável

Pra novamente recomeçar
Desse modo recriar a flor toda
Tão peculiar e unica
Carregada de novas delicadezas
Miúdas fragilidades, pequenas frases

quinta-feira, janeiro 27

O bicho que pega a gente

O bicho que pega gente
Escuta o barulho
dos olhos fechando.
Vem pela parede, rente

Pra que não grite,
pôe as mãos na sua boca.
Chupa sua mente.
Deixando sua casca oca.

Sussurra aquele terrível nome,
dentro do seu ouvido
Como se nunca tivesse vivido.
Ele tem apenas fome.

Mas lhe deixa vivo,
pra que não se suspeite nada,
de um monstro furtivo,
que vem e não tarda.

Não lhe tira toda a mente,
pra que se recomponha.
Aquela criatura bisonha
se delicia novamente.

Em um dia de pesadelo,
aquela visão terrível.
Gelou-me por inteiro.
Paralisado pelo temível.

Veio em minha direção.
Antes de me atacar,
eu consegui berrar.
Se assustou com meu "Não!".

Costume que nunca perdeu,
sempre se põe a falar
E disse: "O primeiro que me percebeu
de Sono resolveu me chamar".

Não adianta fugir.
Se não hoje, amanhã,
porque ele espera o cansaço vir.
É eterno, é um impalpável titã.

Não adianta negar,
ele vai te pegar!
não adianta acordar.
Ele pode esperar.

Pois parte do que ele tira
é a lembrança do abandono.
Não há no mundo quem diga
como é o pegar do Sono.

Deus interior

Só eu sei, por tantos vales de lágrimas
Que eu sozinho atravessei
Só eu sei, quantos cortes na carne
Eu sozinho fechei
Só eu sei, quantos amores e dores
Sozinho esquecerei
Só eu sei.
Só eu.
Só, eu, meu deus.

A leviana poesia

Como é boba uma poesia!
Dessas escrita em papel,
não é clara como o dia
nem amarga como o fél

O rancho poético de Prado

Dedicada como um poeta,
a galinha voa de asa aberta.
Mas não consegue.
Certo como um profeta,
o galo a plenos pulmões grita:
"É mais um dia que segue"

A ilusão

Não existe morte.
Aceite este dote,
pois a morte é a noite
e esta vem pra quem tem sorte.
É só uma noite.
Um delírio
de bobo da corte
Sem equilíbrio.
Quando a chuva cai.
O andarilho vai.
Pra um abrigo, bye...
O sol sai.

quarta-feira, janeiro 26

De que me adiantam lágrimas?

  Se no final encherão rios de lágrimas por mim, em vão, tanto as minhas como as deles.
  Carrego olhos vermelhos, não por chorar pelos maus tratos da vida, mas por imaginar tanta tristeza sem que fosse culpa de uma pessoa, a não ser da condição em que estamos.
  Nos ombros a minha cruz pessoal, meu canto quente no mundo frio, encolhido em meu inferno pessoal, aonde queimo a todo momento, ardendo em vontades e desejos, queimo o combustível da minha vida e rio essa fumaça que exala, grossa e azulada, da minha boca.
  Minhas pálpebras pesadas não por sono mas ha muito sem dormir, semi-cerradas, metade de minha visão desta loucura é mais que suficiente para entender.
  Ao meu redor, feras e víboras devorando-me aos poucos e fazem-me regressar a um estado de explosão de impulsos, incontrolável.
  De que adiantam lágrimas se estas apagam o fogo ao meu redor, que afasta essas nojentas criaturas. De que adiantam as lágrimas, se me deixam no escuro, turvam minha visão e salgam a terra fértil.

terça-feira, janeiro 25

Boa noite, boa vida
nunca compartilhada
De pouco em pouco,de nada em nada
Boa noite, boa vida
nunca compartilhada
De pouco em pouco,de nada em nada

segunda-feira, janeiro 24

Tudo e nada, são apenas duas palavras e meu dicionário está cheio delas.

domingo, janeiro 23

Em busca do futuro
Todos iremos.
Mesmo que seja curto,
nós partiremos.

Três reis

De mim, rireis
De vós, liberteis
Em nós, vivereis
Num guardanapo escrevo
De esquecer, tenho medo
Que novo dia amanhece
e eu não mereço
Os carros correm
As pessoas morrem
Os poetas escrevem
Os boêmios bebem
E os cínicos fogem.
Um rosto que jamais serei.
Um destino perfeito que não trilharei.
Um amigo antigo que nunca terei.
Uma pessoa que não serei.
Sorte dos que não sabem.
Que a vida já começou
Amaldiçoados já conhecem.
A vida já desprezou.
Em uma cidade qualquer.
Escrevo uma linha banal.
Fujo do mal me quer,
sem existir nenhum mal.
Sem problemas.
Sem dilemas.
Sem esquemas.
Cem poemas.

M.

Se foi sua decência
Na descida de um degrau
Se foi sua aparência
Na aceitação de um mau
Veja a sua decadencia
Sem ao menos um sarau
Ou um minuto de resplandecência.
Nunca saberei
Sem ter vivido
Nunca viverei
Sem ter acontecido
Tempo parado
Sabor indesejado
Ardor descarado
Despertar acordado
A inspiração embriagada
O copo vazio na mesa
A esperança, simplesmente despedaçada
As mulheres brasileiras uma beleza
Desejo impossível
Homem impassível
Queria eu, querido
Beijo meu, ardido
Amor teu, perdido
A caneta que escreve
O sol, a chuva, a neve
A brisa batendo de leve
Um poema, pequeno e breve

O copo

Me afundo em um copo de esquecimento
A dose de conhaque, o aquecimento
Segundo de cevada
Alma lavada
Profunda magua afogada

Poemas quebrados

Linhas retas, pensamentos tortos
Amigos vivos, poetas mortos

sábado, janeiro 22

segunda-feira, janeiro 17

O bar

  Era noite, me lembro bem do céu estrelado. O lugar parecia com uma sala mas à céu aberto, tudo aquilo parecia real demais algo me deixava incomodado, mas não lembro o que apontava aquilo como "demais" acho que não sentia meu corpo direito ou não sentia nem um pouco.
  Tinha um cheiro doce e familiar, mas não conseguia evitar o pensamento de que não devia estar ali, me lembrava de estar em outro lugar. "Passou, seja lá onde eu estou, deve ter algum motivo" pensei e olhei em volta, as paredes eram pintadas de cinza escuro e depois de uma parede que eu acreditei ser a divisão de um banheiro ou algo assim, ao qual não dei a devida atenção porque no fundo da sala havia um velho.
  Ele era alto de figura esticada, vestia uma camisa azul clara e uma calça marrom escuro, ele parecia uma versão do futuro de mim, estava sentado em uma mesa com duas cadeira vazia à sua frente. Na mesa tinha um cinzeiro vazio, um copo do que eu pensei ser cerveja e alguns guardanapos.
  Eu fui até lá e a ansiedade crescia, aquele homem parecia comigo, mas realmente parecia comigo. enquanto eu me aproximava ele me fitava firmemente nos olhos o que me deixou tão desconcertado com meus passos largos mas estava tão longe, e aquela sala não parecia ser tão grande antes, eu estava ansioso.
  Acendi um cigarro, o velho balançou a cabeça negativamente, eu fumei meio cigarro o que me pareceu meia vida até chegar à mesa, o senhor com um sorriso grande me olhou e disse:
  -Sente-se, precisamos conversar.
  Sentei e perguntei:
  -Quem é você?
  -Quem se importa - com um tom entre a interrogação e a afirmação, ainda não sei qual era.
  -Que lugar é esse?
  -É aonde você tem de estar agora. O que faz aqui?- respondeu com sua voz serena.
  -Eu não sei, o que você faz aqui?
  -Estou esperando que chegue.
  -Estamos aqui, vamos tenho pressa! - apaguei o cigarro com força no cinzeiro, ele empurrou-o para mim.
  -Não se apresse que temos todo o tempo do mundo, logo o dia acaba e o sono vem. Teremos que ir embora.
  -Mas eu não quero ir embora, quero saber o que tem pra me dizer!
  -E se levar muito tempo?
  -Oras...-deu-se uma pausa pensativa em que ele me fitava penetrantemente- é bom começarmos logo!
  -Jovens e a pressa de acabar logo, não vai acabar antes que tenha que terminar, apenas se deixe permear pelo conhecimento e pelas palavras.
  -Mas como posso lhe chamar?
  -Me chame de senhor. Acho que isso basta pros vocativos.
  -Então o que o senhor tem pra me dizer?
  -Está sendo dito à algum tempo agora.
  Acendi outro cigarro enquanto fitava aquelas feições longilíneas e rugas fundas pelo tempo. Seus olhos castanhos eram cobertos pelas olheiras o que dava ao olhar dele um pouco mais de seriedade, mas também me deixava desconcertado quanto ao que aquele homem podia me ensinar.
 -Você se perdeu em pensamentos jovem. Volte para cá.- tomou um gole de sua bebida, e me ofereceu.
 Eu recusei, e perguntei:
  -O que está dizendo afinal?
  -Estou dizendo o que precisa ser dito, para que entenda isso que entendeu.
  -Mas isso é uma imensa teia de meios sentidos pouco claros!
  -É,é um bom jeito de dizer o que é isso.
  -Não entendo perfeitamente - tragava o cigarro e assoprava para cima para não incomodar o idoso com a fumaça, me preocupava com seus pulmões. Ele agradeceu:
  -Obrigado, mesmo não sabendo onde, nem porque, nem quem sou, ainda tem a gentileza de se preocupar com uma possível asma.
  -Supus que não é obrigado a tossir por minha causa.
  -Nem a lhe explicar tudo de uma vez.
  -Mas me deixa curioso.
  -Para que entenda sozinho, você sempre esteve sozinho, só agora que me encontrou aqui.
  -Realmente, isso é verdade.
  -Sim - disse com um ar meio pesado- isso é verdade.
  Ficamos alguns momentos quietos. Até que eu quebrei o silêncio:
  -Mas isso quer dizer que não importa o lugar, o que muda é o estado de espírito?
  -Não se esqueça do estado de espírito das outras pessoas. Afinal agora a pouco estava mais preocupado com meus pulmões do que com os seus.
  -Mas é porque gosto de fumar.
  -Mas e se meus pulmões fossem seus? O que nós pensaríamos?
  -Somos um? É isso que quer dizer?
  -Somos. Apenas somos, por isso podemos ser juntos ou separados. Agora estamos juntos, mas separados, você aí e eu aqui.
  Me ofereceu novamente a bebida, eu aceitei, peguei o copo com o liquido amarelo, parecia cerveja, parecia mesmo, mas não tinha tanta espuma nem bolhas, talvez conhaque, mas era claro demais. Tomei um gole grande. Senti meu corpo queimando e leve ao mesmo tempo, senti que minha mente se dissociara dele, saindo daquele lugar.
  Flutuava, eu tenho certeza que flutuava, sentia o ar se mexendo mas não sentia mais o corpo. Minha mente estava lúcida e pensamentos corriam rapidamente, como se eu estivesse entendendo tudo aquilo de uma só vez.
  Eu ia voltando, não sabia para onde eu ia, mas eu voltava por aquilo caminho que eu vinha, até estar parado  no começo da sala, e olhar para o final dela, ansiosamente. Vi uma mesa com 3 cadeiras, dois homens sentados e um copo de alguma bebida encima dela, um cinzeiro lotado, o cheiro familiar no ar parecia cigarro. Uma pessoa parecia um velho, a outra parecia comigo. Pensando bem os dois pareciam comigo.
  O mais novo vestia uma jaqueta preta e uma calça jeans, seus tênis eram pretos também. Os seus olhos fincados no cinzeiro cheio de cigarros e o seu cheiro e tabaco era quase nauseante de tão forte. Ele  realmente parecia comigo e fumava ansiosamente acendendo seus malboros sem parar.
  O mais velho vestia roupas que chamavam pouca atenção. Seus olhos fixos em mim, e seus cabelos brancos pareciam prateados pela luz da lua. Ele bebia aquela bebida estranha e a cada gole seu rosto parecia ficar um pouco mais velho, estranhamente seu copo não esvaziava. Estava sempre cheio.
  Não sabia onde estava. Mas já que estava ali resolvi que ia me sentar com aqueles dois. Coloquei a mão no bolso e peguei uma bala. Fui andando até a mesa deles, enquanto mascava aquela bala de iogurte muito doce, mas com um gosto levemente artificial.
  Quando me aproximei, o que fumava empurrou a cadeira e soltou a fumaça com força dizendo:
  -Sente-se, temos muito o que conversar e não há tempo!
  -Não apresse o Agora. Você sabe que ele não sabe ainda.-disse o velho.
  -Quem são vocês? - perguntei - E porque me chamou de Agora?
  O que segurava o cigarro, apagou-o com força e assoprou a fumaça entediado:
  -Não perca tempo pensando no que já foi, nem em quem você já foi, nem em quem somos, quanto antes aceitar que as coisas são como são antes podemos lhe ensinar o que você tem que aprender.
  Eu me sentia confuso e perguntei novamente:
  -Mas eu não sou Agora! Meu nome é outro!
  -Se eu lhe dissesse, você não acreditaria- disse o fumante.
  -Mas isso está confuso! Vocês se parecem demais comigo.
  -É porque eu sou Depois e ele é o Antes, somos o que sabia antes de falar e o que aprendeu depois de ouvir. Você é a transição.- disse o velho com um tom ríspido mas calmo.
  -Como??
  -Já te disse pra não pensar se as coisas fazem sentido. - o fumante acendeu outro cigarro, como se já esperasse isso.
  -Mas isso quer dizer que somos um?
  -Agora, você está começando a entender. - sorriu atrás da fumaça.
  -O que vocês querem me ensinar então? Eu já disse e já ouvi.
  -Tome um gole.
  O senhor ofereceu a bebida que eu aceitei, tomei um gole e senti meu corpo flutuando novamente. Era um dejavu, já havia sentido aquilo. Antes ajeitaria a jaqueta, mas assim que moveu suas mãos, meus olhos se fecharam e eu senti que voava para o começo do bar. Literalmente voava, levantava do chão e ia até lá. Quando abri os olhos, estava dentro de uma sala e só havia a porta que eu conseguia reconhecer. Parecia a porta  que acreditei ser do banheiro. Abri-a. Era um bar. Havia uma mesa e três cadeiras, um cinzeiro cheio, mas não havia lugar para mim. Virei as costas e retornei pra onde vinha. Meus olhos abriram novamente. Estava em uma sala.

ce ali alice

se ao menos risse
Se ao menos alice
me visse
se alice sorrisse
me seria sandice
só se ela risse
um sorriso pequeno eu visse
voltariamos praquela meninice
momento puro de alice
Se alice sorrisse
só se alice

domingo, janeiro 16

Parasita

Tristeza não é um parasita
que infesta os seres.
Mas é um sentimento que transita
pelo meio dos quereres.

Para Purina

Me afogo em copos de vinho
e em seu sorriso marinho.
Me afogo felizmente no mar.
De noite em noite de bar em bar.

sexta-feira, janeiro 7

Pessoas

pesso as pessoas
Peso as pessoas
pessoas à sós
peso só
só pessoas
soa a pesso
só...só pessoas

segunda-feira, janeiro 3

Fogos de art-i-fício

  Os fogos de artifício são como as pessoas, são criados para irem o mais alto que conseguem e trazer ao mundo um brilho único e característico que inunda os que presenciam com energia e esperança.
  As pessoas são tão maravilhosas quanto os fogos, que crescem rapidamente até o seu máximo  e explodem em cores e energia, inundando o ar com suas faíscas. Os fogos assobiam até o alto e explodem em cubos de luz tridimensionais no espaço físico como se dissessem "Eu posso subir até aqui apenas, mas vou com um grande espetáculo colorido."
  É engraçado como temos tanto em comum com esses emaranhado químico de metais que são incendiados, tudo que precisamos é de um começo, um isqueiro pra queimar o primeiro centímetro do pavio, depois iremos infinitamente até o momento em que enfim explodimos em cores e barulhos, tocando a todos que estão perto, dando continuidade a bateria de explosões que fazem um show.
  O fim da peça pode até ser trágica, mas o que vem antes da explosão é tão magnífico se não menos do que a sinestesia de cores, barulhos e o cheiro de pólvora. Somos grandiosos, mas depois que se acaba tudo fica ainda mais incrível, como descrever um show pirotécnico para alguem que nunca viu?  como descrever uma vida para alguem que nunca viveu?
  A vida é uma bateria de rojões, a primeira explosão é apenas o começo de uma série de prazeres audiovisuais que são apreciados apenas por aqueles que estão dispostos a ver de corpo e mente o que se passa nessa orquestra de cores.
  Seja como for, que acabe em uma grande explosão de cores em sequência ou em um solitário "Bum" de um rojão, a vida é tão grandiosa quanto um show de fogos de artifício, acaba rápido, mas enquanto dura é única.