quarta-feira, janeiro 26

De que me adiantam lágrimas?

  Se no final encherão rios de lágrimas por mim, em vão, tanto as minhas como as deles.
  Carrego olhos vermelhos, não por chorar pelos maus tratos da vida, mas por imaginar tanta tristeza sem que fosse culpa de uma pessoa, a não ser da condição em que estamos.
  Nos ombros a minha cruz pessoal, meu canto quente no mundo frio, encolhido em meu inferno pessoal, aonde queimo a todo momento, ardendo em vontades e desejos, queimo o combustível da minha vida e rio essa fumaça que exala, grossa e azulada, da minha boca.
  Minhas pálpebras pesadas não por sono mas ha muito sem dormir, semi-cerradas, metade de minha visão desta loucura é mais que suficiente para entender.
  Ao meu redor, feras e víboras devorando-me aos poucos e fazem-me regressar a um estado de explosão de impulsos, incontrolável.
  De que adiantam lágrimas se estas apagam o fogo ao meu redor, que afasta essas nojentas criaturas. De que adiantam as lágrimas, se me deixam no escuro, turvam minha visão e salgam a terra fértil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário