quinta-feira, janeiro 27

O bicho que pega a gente

O bicho que pega gente
Escuta o barulho
dos olhos fechando.
Vem pela parede, rente

Pra que não grite,
pôe as mãos na sua boca.
Chupa sua mente.
Deixando sua casca oca.

Sussurra aquele terrível nome,
dentro do seu ouvido
Como se nunca tivesse vivido.
Ele tem apenas fome.

Mas lhe deixa vivo,
pra que não se suspeite nada,
de um monstro furtivo,
que vem e não tarda.

Não lhe tira toda a mente,
pra que se recomponha.
Aquela criatura bisonha
se delicia novamente.

Em um dia de pesadelo,
aquela visão terrível.
Gelou-me por inteiro.
Paralisado pelo temível.

Veio em minha direção.
Antes de me atacar,
eu consegui berrar.
Se assustou com meu "Não!".

Costume que nunca perdeu,
sempre se põe a falar
E disse: "O primeiro que me percebeu
de Sono resolveu me chamar".

Não adianta fugir.
Se não hoje, amanhã,
porque ele espera o cansaço vir.
É eterno, é um impalpável titã.

Não adianta negar,
ele vai te pegar!
não adianta acordar.
Ele pode esperar.

Pois parte do que ele tira
é a lembrança do abandono.
Não há no mundo quem diga
como é o pegar do Sono.

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