segunda-feira, fevereiro 21

Coroa das trevas

fecho as cortinas
pra escuridão entrar
descanso minhas retinas
retornando ao meu lugar

na escuridão encontro a paz
visto a coroa das trevas
deixando o outro mundo pra tras
com suas víboras e feras

me sinto em casa nas sombras
pouco a pouco ficamos iguais
faço parte de suas dobras
não existo mais

existe apenas a escuridão
me fortalecendo na solidão
bebo do oceano da noite
esquecendo do mundo e seu açoite

minha casa sempre foram as trevas
em toda minha vida
nunca vi verdades mais belas
sem sombra de dúvida

eu e as trevas, agora 
seriamos sempre assim
da forma em que fomos
no começo e no fim

domingo, fevereiro 13

tantas pessoas
passaram por este mundo
vazio sem fundo

quinta-feira, fevereiro 10

Malabarismo de idéias,
Equilibrismo em mundos,
O circo da vida é aqui.
Mas...Quem é o mestre de picadeiro?

O artesão

  Inspiração não vem de graça. Inspiração não é bobagem. Inspiração é transpiração interna. É um trabalho de mente, é uma constante. É algo a se almejar, todos os dias, olhar para dentro e procurar. Inspiração é como uma vela, consome a parafina lentamente, teima em se manter até finalmente acabar, mas sempre existe outra vela. 
   A vida é a velaria, com suas infindáveis montanhas de cera, nas quais se esculpe as velas que mais tarde derreterão pra transformar a Cera em Inspiração. O artista nesse caso não só faz a sua inspiração, como também a destrói colocando no real o seu insight, transformando a chama em obra. 
  A Cera é o conhecimento acumulado, que nunca acaba, nunca se sabe tudo, nem se fez de tudo. Embora pode parecer que todas as velas sejam iguais, não é verdade. Cada vela tem a sua identidade, cada uma com características únicas, que cabe ao artesão adequar cada vela pra sua finalidade, não se pode fazer uma vela de funeral com cores chamativas e enfeites de metal.
  O Pavio é o motivo, o porquê da cera deixar o estado dela e transcender pro estado de chama, portanto o pavio é o grande truque, por que alguem faz arte? Pra que serve um poema? Por que alguem aprende a tocar um instrumento?
  A Chama é a obra, aquilo que exige um sacrifício da vela, que consome aos poucos a vela toda, até sobrar apenas um toco queimado, uma linha de raciocínio que não tem mais como ser aproveitada, por ter se esgotado todas as possibilidades daquela Inspiração.
  Cada vela tem um motivo, seja pra enfeitar uma noite à dois ou chorar um corpo, seja pra iluminar o local ou pra ajudar  a ver no escuro. Sempre tem uma finalidade ao acender-se uma vela, ninguém acende velas pra ver como queima bonita.
  O artista é o artesão, transformando a cera na vela e fazendo da vela a obra final. Pega a cera, molda ela depois acende. Busca conhecimento, molda em sua arte, se inspira e ascende ao estado criador de Chama, ou seja, com o conhecimento que ele aprendeu, fará aparecer uma obra que será tão parte dele quanto do mundo que nos rodeia.
  Ser artesão é um trabalho infindável, por mais que façam-se velas, sempre existe mais uma vela a ser feita, sempre existe um poema, uma tela, uma música. Enquanto se está vivo, fará o que ama, não importa por quanto tempo. Um artesão que ama o que faz, continua fazendo apenas por amar seu trabalho, não é necessário maiores explicações.
  Ser artesão é ser sofredor, por nunca se ter o prazer de poder dizer: "Agora sim, já não tenho mais velas pra fazer. O mundo está abastecido". Por isso todo artista é frustrado, por sempre ter mais um show a fazer, não existem velas para até o fim dos tempos. Nem poemas. Nem músicas. Nem nada. Existe apenas uma demanda ininterrupta de novidades, de coisas que nunca foram feitas, de velas! Milhares e milhares de velas.
  Ser artesão é lutar contra tudo que faz sentido, com a energia elétrica tem tantos modos mais práticos de se iluminar um pensamento! Por que alguem buscaria uma vela se com um dedo aperto um botão e consigo toda a luz, todas as informações que dizem ser tudo que necessito? 
  Como se o mundo fosse movido à idéias, é necessário estar sempre moldando suas próprias velas, criando novas, e particulares, inspirações que levem a novos pontos de vista nunca antes cogitados. Sejam por meios de livros, músicas, telas ou qualquer outra forma de arte.
   Existem velas de todos os tipos, idéias de infinitos jeitos: Velas vermelhas, azuis, brancas, longas, curtas, largas, de sete-dias, de um segundo. Inspirações não tem limites nem regras e não precisam de explicações, apenas são. Por serem assim, simplesmente o artista não tem de questionar o por que de fazer arte, apenas fazer. Por fazer. Seja porque o mundo precisa de velas, ou porque o artesão precisa fazê-las.
  TV nenhuma derruba um bom livro, uma boa inspiração, uma boa vela e meia luz à dois. Por mais antiquada que seja essa ambição, não é só porque existem métodos mais eficazes de transmitir informação que os modos mais simples perdem o lugar. A TV é barulhenta e cheia de mensagens subliminares. Mesmo as músicas estão sendo corrompidas pelas mensagens que grudam em nossas mentes.
  Procura-se o conhecimento, vivo ou morto.

quarta-feira, fevereiro 9

O não-poeta

I’m not a poet


Poets rhyme their words

Without breaking a sweat

Naturally, like flying to birds


I’m not a rhymer

I just pretend that I write

I’m just a whiner 
Nothing I write sounds right



That’s why I'm not an artist

I’m not important

I’m just another misbelief
And this is just a small rant

O rio da alma

Sentimentos sem fim
Rios de pensamento
fluindo eternamente
Todos desaguando no oceano

Oceano descomunal
Dos seres que trilharam seus caminhos
Que viveram em demasia
que viveram e sentiram
tudo que havia

Vejo ao longe o horizonte
horizonte que nunca vai chegar
Horizonte que sempre tem mais um pouco
Esqueço dele pra poder enxergar

O que existe além da visão
o que está além da criação
Aquele velho momento

Temos que abster
De todo desejo de parar
de toda pedra no rio
que teimamos em contornar

A grande corrida do rio
não pode se deixar carregar
o rio faz a correnteza
Nade quem quiser
Pra onde a vida levar

Vale do passado

Vale guardar lembranças
Nesse vale de sofrimento
Pois essas não têm preço

Encarecidamente peço
Que guarde com carinho
Tudo que lhe aconteceu

Agradeça a vida que tem
Agradeça aquilo que te valeu
Agradeça aquilo que é seu

Lembranças boas ou ruins
Todas valem pra guardar
As boas foram, as ruins passaram

Seja como for
Essas lembranças um dia
Ainda vão te salvar
do desespero e da angústia
de ser, viver e de estar
Não fujamos do que se foi

Pois no passado é que deveríamos ficar
Como não podemos voltar
Devemos sempre ir em frente

Sem medo do tempo passar
Pois que termine o dia!
Um dia tudo isso vai lhe agradar

Enxurrada de sentimentos

A chuva dos olhos
chamam de lágrimas
agua com sal
sangue com mal

nada mais simples
do que admitir
aquela velha verdade

Não adianta mentir
um dia se descobre
cedo ou tarde

Poema para.

Ouço ao longe a canção
que me floresce na alma
flores de sentimento
com distintos aromas

A música me envolve
mas dentre as flores
tem uma azul, tristeza
o que vai ser das flores
sem a canção pra lhes sustentar

Sinto o sentimento padecer
nascer crescer e morrer
sinto um pedaço de mim
que nunca mais.

será apenas lembrança
de um momento
em que eu fui apenas criança.

Os replicantes de idéias

Os pulmões cheios de fumaça
O estômago transborda café
As veias pulsando óleo
A cabeça criando ilusões
As articulações se mexem como engrenagens

Sem ao menos suspeitar
Que não é a única máquina
Todos somos parte da grande piada
Se não acredita
Me mostre sua alma lavada.

O café da vida

O açúcar adoça a boca
na mesma medida que o café amarga
Duas colheres de açúcar
Pra três xícaras de água

terça-feira, fevereiro 8

dia nasce dócil
a tarde cresce feroz
Sol morre gentil
em uma noite atroz

segunda-feira, fevereiro 7

Pesadelo

Lembro daquele dia,
Em que sonhar não podia
Sonhos eram inocentes e doídos
Tudo acabava em ossos moídos

Queria saber o que passava
Em sua cabeça naqueles tempos
Que sempre me atacava
Agressivamente com seus membros

Um nariz quebrado
Um tempo: Passado
Preso em um momento
Sem palavras redento

Mas não se foi o assim
Tiveste que errar indireto
Crime sem castigo à mim
Culpado sou eu indiscreto

Acusando sem provas
Culpado de sinceridade
Jogado em covas
De irrealidade

Meu caro, espero que durma
Mas no fundo da minha forma
Desejo vida longa à ti, caro amigo
Que a vida é seu pior castigo

Não esqueça do passado
Que eu não me esquecerei
Porque nele estamos ligados
E lembra-lo eu hei, eu hei!

Boa sorte, boa vida
Que me foi muito sofrida
Durante anos imparáveis
Erros eternos irreparáveis

Errei, errou, erramos
Somos apenas fruto disso
Serei, será, seramos
Sempre. Eis meu compromisso

Queria saber o que você tem a dizer.
O sangue que se pôs a correr
Nada me repararia
Naquele nojento dia

Como eu queria mentir
Mas não posso não
Você bem que sabe fingir
Mas eu não.

Só queria que visse
Pra que na minha pele sentisse
Do jeito que eu vi
Aqueles anos que senti

Não sei se é muito ou pouco
Não sei se é pouco ou menos
Se estou mudo ou rouco
Se como uvas ou feno.

Se houvesse um motivo,
Se eu fosse emotivo
Se você entendesse
Se eu me abrisse

Se fizesse sentido
Se não estivesse vivo
Só queria dizer
Que você podia ter morrido.

E eu também.

domingo, fevereiro 6

Acorda a mente
Avalon chama
tem muita gente
que nem se ama
Num canto do globo
esquecido pela massa.
Lobo é lobo.
Caça é caça.

quinta-feira, fevereiro 3

Linda natureza
Aqui deste planeta
Eu, breve cometa
Tigre listrado
ronrona como gato
ao ser afagado
O antílope
procurando comida
vasta pradaria
Tocas são lares
pra criar seus rebentos
de tantos bichos
brotos de bambu
hoje, apenas brotos
amanhã bosque
Brilha o dia
Dos pássaros se ouve
Maravilhosa cantoria

quarta-feira, fevereiro 2

Bate asas o beija-flor
Procurando o doce néctar
do açúcar das casas