quarta-feira, abril 27

O estrangeiro

Apenas aqui eu vejo sinto e apalpo
os acontecimentos desta cidade
um velho caído no asfalto
espumando epiléptico.
Vejo um taxista quase atropelando uma criança,
em meus passos céticos,
lembro da infantil segurança
e sua inocente ignorância

Vejo mendigos com as mãos estendidas
e policiais com as mãos nos bolsos.
Vejo crianças perdidas
e pessoas ignorando a todos.
Vejo carros apressados,
ouço buzinas incessantes
de motociclistas desvairados
e os passos de apressados caminhantes

É como se eu visse o reflexo
de uma pessoa em todo esse conjunto
que leva uma vida sem nexo
apenas para o vislumbro
de um dia melhor
ou de um dia qualquer
em que se possa supor
que valeu a pena andar a pé

Para ver um dia
em que se veria um motivo
para esta vida vazia
sem pensar no prejuízo.
Como se as pessoas vivessem
iguais aos automóveis para gasolina
mas o que as abastecem
são esperanças de um dia.

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