quarta-feira, junho 29

Ciclos

... no descompasso do mundo.
Descobrindo o mais interno de si,
um universo de possibilidades,
infinitamente maior 
do que as aparências,
mas mesmo assim, perde-se o sentido...

... no descompasso do mundo.
Descobrindo o mais interno de si,
um universo de possibilidades,
infinitamente maior 
do que as aparências,
mas mesmo assim, perde-se o sentido...

               .
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               .

domingo, junho 26

Dúvidas

Ah! perguntas incessantes
para onde vão quando somem?
E suas respostas?
Para onde vão todos os pensamentos?
Em que buraco negro se escondem?

Onde fica acumulado tudo isso
que eu penso com tanto afinco?
Para que me serve tanto pensar?
De que me ajuda tantos amores?

Qualquer coisa!


Em que abrigo posso eu me esconder,
para despistar os mais internos medos?
Onde foram parar todos aqueles sentimentos?
Diga-me, aonde está tudo?

Deve haver algo que me acalme!
Por algum tempo.
E depois? Novamente a procura?
O álcool? Remédios? Sexo?

Nada! Nada!!
Não existe coisa alguma que me salve
deste questionamento incessante.
Não existem respostas?
Apenas perguntas?

Mas que inferno!
A vida é isso.
Um emaranhado
de perguntas e respostas e
uma procura de sossego.

A vida é um inferno, sem dúvida.
Era uma vez, um cigarro.
Cansado de viver, pegou um isqueiro e 
ascendeu-se para o céu 
em forma de fumaça. 
Deu-me um trago.

Beleza

Tão bela e única.
Sozinha, ali.

Brilhava, ali.
Sozinha.

Era perfeita, feita em molde.
Linda, ali sozinha.

Era uma latinha, no lixo.
Ali, sozinha.
A Cidade é grande,
mas as pessoas
são pequenas.

sábado, junho 25

O excesso de zelo,
é o medo de perder.
O excesso de palavras,
é o medo de não fazer sentido.

Promessas

Pois prometo não concordar,
nem comigo!
Prometo que não escreverei versos,
e sim palavras. 
Prometo principalmente 
fugir da poesia. 
Fugir como o diabo da cruz.


Dê-me cerveja, pois quero
esquecer da minha máscara,
quero esquecer do meu rosto.


Dê-me cigarros, entupindo-me 
de fumaça e veneno
estarei feliz, e sobretudo quieto. 


Principalmente, calado. 
Sem um verso, nada. 
Quero a palavra parada.
Quero o silêncio, de som e mente.

quinta-feira, junho 23

Aqui

Não importa aonde estou, 
sempre estive aqui. 
O mundo girou,
embaixo de mim

segunda-feira, junho 20

Anoiteceu,
anoitecia,
anoite-seria,
se não fosse o dia
teimar em nascer.

Libertação

Esta casca que me reveste
pútrida e estranha
não é nada mais que
pele morta e fome

Cansado dessa
embalagem de osso
bizarra e medonha,
cheia de dores e vida.

Como eu gostaria de
me libertar deste casulo
e transcender pelos céus
voando livremente.

Impossível.
me resta apenas
saborear a decadência
de corpo e mente.

domingo, junho 19

Manchete

Abro o jornal da manhã,
o sangue dos mortos de ontem
esguicha no meu rosto.
Atônito, as páginas grudam em meus dedos.
Não posso larga-lo.

Os olhos das crianças mortas,
de ontem, fitam-me profundamente.
Parecem ver minha alma,
choram silenciosas em meus ouvidos.

As crianças vivas, e pobres,
estendem as mãos para que as ajude.
Agarram as minhas roupas e me puxam
com toda a força de seus finos braços.

Querem comida.
As crianças querem comida!
Agora é tarde, são muitas e eu sou puxado
para dentro do jornal, da miséria.

A última sensação
são seus dentes,
devorando os restos,
restos de quem?

sábado, junho 18

A Terra

Ame o chão, assim como ele o ama.
beije seu pedaço de terra
com todo o carinho que tens.

Olhe para baixo, lá está ele.
Parado, imenso, suportando-te.
Carinhoso, paciente, cheio de amor e espaço.

Fuja, corra, não tem para onde ir?

Não precisa de rumo, apenas vá.
Vá para longe!
Ele lhe carregará para lá.
Longe de que?

Veja que não importa,
que em toda parte o chão lhe espera.
Corra, mais rápido, pise duro.
Esmague seu destino com a sola do sapato,
Pule. Liberte-se do chão por algum tempo,
depois caia com mais força
esmurre o paciente chão com seu peso.

O seu destino é o chão.
Você sabe melhor do que ninguém,
primeiro está sobre ele,
depois sob ele,
a vingança terrestre.

Será esmagado pela terra 
como esmagou-a em vida.
Eternamente prisioneiro 
de um cárcere de madeira.
Sem chance de liberdade.

O chão que nunca esteve tão perto, 
tão dentro, tão sob, tão sobre.
Tão somente o chão
coube para os seus pés,
que nunca saíram dele.

Aproveite, vamos, agora é cedo ainda.
O chão ainda suporta sua vida.
Levante, vá embora, pare tudo que está fazendo,
saia desta sala, vá para longe.

Beba, celebre, fume, grite.
Faça tudo que sentir vontade.

Depois volte ao estado inevitável de silêncio,
e ouça o que o chão tem pra lhe dizer.
Ouça-o chorar seu desamor,
lamentar os pisões, e a sola dura.
Reclamar de sua vida dura,
de sua obrigação de
Aguentar o peso de tudo.

Ame o chão, como a si mesmo.
Ame-o que lhe é obrigação,
aceite, o chão é seu verdadeiro amor.
Deu o apoio para que fizesse tudo.
Deu seu amor incondicional.
Sempre, sempre, sempre
o chão estará ali para você.

Mesmo quando sumir seus melhores amigos,
mesmo quando você não quiser mais existir,
quando todos estiverem mortos,
e você for o único ser pensante da terra,
ou o sol não quiser mais voltar,
o chão estará ali, estático, firme.

Esperando que você acorde,
para lhe segurar os sapatos.
Esperando que você caia
de um salto de fé.
Esperando, pacientemente,
com a calma de um planeta,
um velho de bilhões de anos.
Esperando o dia que lhe terá nos braços.
em um abraço apertado de amante,
Sufocante, claustrofóbico.

Aquele dia em que você não se manterá de pé
e precisará deitar-se, depois fechar os olhos
lentamente, até que o pensamento se desfaça,
e o chão te engula lentamente,
palmo a palmo, sete vezes.
e você sumirá, pra nunca mais
ser visto ou ouvido.
Será parte do chão, e finalmente
ele terá seu amor junto de si.
Para sempre.

Do.

Completamente cego. O rapaz jogou sua bengala fora. Abriu os olhos. Viu aquela pasta negra de sua visão. Mascou algumas palavras, e caminhou em linha reta pela rua. Não sabia aonde ia, mas sabia que eventualmente seria atropela...
Em explosões,
vem as inspirações.
As poesias em monções.
Em um lago de introspecção.
A superfície parece calma.
No fundo, é uma matança pela sobrevivência.
O Silêncio eloquente
diz mais
que muita gente.
O chiste da vida,
é a falta de graça. 
Ri por des-graça.
Uma rosa sem espinhos, 
uma moça sem seus brincos. 
As pequenas coisas 
que fazem das grandes mais belas.
Dia a dia,
pouco a pouco.
Uma fantasia,
um grito rouco.
Perceba!
Antes que
a Caverna ceda.
Vida de penitente.
Abstenção
de corpo e mente.

quinta-feira, junho 16

O que se aprende
hoje na escola?
Encontre o x.
Cadê o Brasil?
Me diga por favor
se você viu.

quarta-feira, junho 15

Eu sou um cemtério de segredos.
Em mim, um mundo, secreto.
Eu,calado, nego, enterro.
Um dia serei o túmulo
de mais um enigma.
A minha vida.

terça-feira, junho 14

Aqui jaz um sonho,
embaixo de sete palmos.


Não escorre uma lágrima,
nem foi sentida sua falta. 


Foi apenas um devaneio 
em um cemitério cheio.

segunda-feira, junho 13

Era uma vez, um rei caolho.Mandou furar os olhos de seus súditos.Um dia teve uma filha, com sua mulher cega.Arrependeu-se amargamente,mas...

domingo, junho 12

Trago lembranças
de uma vida rala
e dura,
Tanto peso quanto altura.
os olhos pesam muito,
a vida é clara,
mas a morte vem junto.
Queria menos, mas
tive que ser mais
Sem escolha, a não ser
o sucesso de viver.

Humanos

Nasceram com dentes
para morder.
Nasceram com coração
para sofrer.
Por dois olhos
eu vejo o mundo.
O mundo inteiro
em dois buracos miúdos.

Locus Amoenus

São os dias
sempre mais.
Eu queria
ser menos.
exausto de ser
cansado de soul
não quero mais
saber quem eu sou
Os ecos do Eu
estão em todas as bocas
em uma voz rouca
que já se perdeu.
O prazer de observar
o silêncio
passar
nada digo, só penso

Penso
que um dia vai ser reto
enquanto isso
sigo quieto

Quieto
imerso em sons
alguns maus
outros bons

Sons em sintonia
com a sinfonia
do dia a dia

Numa orquestra
sem futuro
o que me resta
é o silêncio puro

sexta-feira, junho 10

Hipocrisia difusa
aquele que faz
acusa.

quinta-feira, junho 9

Amarelinha

Os sonhos de giz
desenhados no chão.
Eu nunca quis,
mas eles se apagarão.

domingo, junho 5

A Vida toda,
toda a vida,
vida à toa