sexta-feira, agosto 19

pedaço de poema


O íngreme barranco da Vida
Que finda em um abismo.
A ladeira que se começa de quatro
E termina por cair
Deitado de costas na Escuridão.
O despenhadeiro escorregadio dos Tempos,
Que sob a ótica do vivo,
Não tem fim,
Mas existe um final,
Que não pode ser percebido
Daquela Escuridão dentada
Que engolirá tudo aquilo
Que puder degustar com sua
Língua áspera de Lima Temporal.
(...)

quinta-feira, agosto 11

As pessoas vivem depressinha
Eu, depressão.

quarta-feira, agosto 10


A Inspiração veio aqui
De manhã.
Trouxe um café, pães e manteiga.
Tivemos um bom desjejum,
E conversamos muito.
Fazia muito tempo que não nos víamos
Por isso colocamos a poesia em dia.

domingo, agosto 7

São paulo São paulo

  Gosto do silêncio da madrugada, ou do jazz rasgando os primeiros sons da manhã quando nada existe. Aos poucos aparecem os carros e ônibus. O som metálico dos cavalos de potência relinchando ao brecar.

  Sinfonia urbana.

  Um cachorro late ao longe. Um grito rasga o silêncio, mais uma mulher é atacada na Paulista. Os bocejos são quase audíveis, junto com as cafeteiras estalando.

  O cheiro de café é sentido a quarteirões de distância, em todos os prédios. O gosto amargo da poluição é maquiado com algum açúcar. O frio e a garoa ameaçam um dia difícil, mas o povo levanta, pra fazer o Brasil, ganhar dinheiro, sustentar a família. Sabe como é proletário, ou trabalha ou trabalha.

  Faz 8º em São Paulo, o frio queima. O sol não vem hoje. Vem sim, mas vem mais tarde, prefere cochilar até a última hora possível. Alguém vai acordar o Sol. Ele está atrasado hoje. Antes de seguir iluminando o mundo, ele toma um gole de cachaça, para se preparar.   (...)

segunda-feira, agosto 1

Backspace


Eu ouço o último grito da madrugada,
O agonizante berro do hoje
Que morre para dar lugar ao amanhã.
Aquele tênue momento
Em que se transita de um dia para o outro,
11:59 – 00:00
Coltrane acompanha o grito com choros saxofônicos.
A melodia mancha tudo com um tom agudo.
Esta transição
Tem um quê de melancolia.
Na cidade tudo continua igual,
Mas esse dia...    (...)

só uma palhinha.