domingo, agosto 7

São paulo São paulo

  Gosto do silêncio da madrugada, ou do jazz rasgando os primeiros sons da manhã quando nada existe. Aos poucos aparecem os carros e ônibus. O som metálico dos cavalos de potência relinchando ao brecar.

  Sinfonia urbana.

  Um cachorro late ao longe. Um grito rasga o silêncio, mais uma mulher é atacada na Paulista. Os bocejos são quase audíveis, junto com as cafeteiras estalando.

  O cheiro de café é sentido a quarteirões de distância, em todos os prédios. O gosto amargo da poluição é maquiado com algum açúcar. O frio e a garoa ameaçam um dia difícil, mas o povo levanta, pra fazer o Brasil, ganhar dinheiro, sustentar a família. Sabe como é proletário, ou trabalha ou trabalha.

  Faz 8º em São Paulo, o frio queima. O sol não vem hoje. Vem sim, mas vem mais tarde, prefere cochilar até a última hora possível. Alguém vai acordar o Sol. Ele está atrasado hoje. Antes de seguir iluminando o mundo, ele toma um gole de cachaça, para se preparar.   (...)

Um comentário: