terça-feira, setembro 27

Teatro em progressão

Vou até o espelho,
olho profundamente
Nos buracos dos meus olhos.
Rasgo o primeiro véu
De carne

Não sou eu,
Atrás dessa máscara
Tem um rosto de cera,
Marmóreo,
Estático.
A raiva cresce
e a cera se derrete
pingando na pia.

Ainda não sou eu
Embaixo da cera.
Este rosto é de ferro,
Frio e duro,
Aqui estão as lâminas
Dos meus olhos.
Elas rasgam tudo com seu fio de soslaio.
O peso é insustentável,
E a máscara cai.

Onde estava o ferro
agora são chamas,
O meu rosto de magma,
O meu rosto ígneo,
Passional.
Um grito enraivecido,
As chamas se projetam em labaredas
Da minha boca.
O meu rosto se esvai
Em vapores de sensações.

Agora a máscara é de madeira,
Mas não sou eu ainda.
Minha inquebrável cara de Mogno.
Os cupins saem do meu nariz
E mastigam a minha face.
Embaixo da madeira
Tem um semblante enfaixado.

As faixas escondem as cicatrizes
Que os tempos cortaram em meu rosto.
Marcas em cima de marcas
E tempos em cima de tempos.
Desenrolo as faixas lentamente,
Deitando-as na pia.

Olho para o espelho,
E vejo o meu corpo decapitado.
Ainda não sou eu.

quarta-feira, setembro 14

Aqui Jazz um poema

O meu coração
Bate em ritmo de jazzy blues
Melancólico.
Lembro de Julie London,
Pela qual I cried a river
Sem que houvesse um sentido
E me afoguei no meu rio,
E me afoguei nela
E em mim.

É Summertime.
Segui o conselho
De abrir minhas asas e voar pelos céus.
Esqueci de tudo.
Segui minha vida
Pelo sunny side of the street.
Why didn’t i do right
E fiz tudo como deveria ser feito?

Não importa,
Afogo-me em um trago,
Um copo.
Me afogo sozinho no mundo.

sexta-feira, setembro 9

Não tenho tido tempo,
Para ver a Vida passar.
Olho adiante, no Futuro,
E só vejo escuridão.
Não deu tempo de a Luz me alcançar.
É preciso esperar o tempo passar.
É preciso ter paciência,
Para que eu não fique perdido
Entre dois momentos
Que não são.
Tempo,
Tempo,
 Tempo.
Eu preciso dar tempo
Para que o Tempo possa me alcançar.
É preciso ficar de tocaia
E emboscar o Tempo no momento certo,
(...)

sábado, setembro 3


As luzes anêmicas clareiam
As dúvidas desse quarteirão.
Os passos leves marcam a rua.
Não existe nada no mundo
Mais revigorante
Do que um passeio solitário.
Algo me prende nesses pensamentos.
Os pensamentos estão pesados
Como caminhões lotados de qualquer coisa.
Eu sou um caminhão.
Preciso de diesel,
Mas não exisem postos.
As sombras das pessoas crescem ao meu redor,
Depois somem embaixo delas.
Deve haver uma resposta,
Para uma pergunta que não sei qual é.
Então os neons brilharam em cima de mim,
E iluminaram o meu caminho com suas cores.
Uma série de sinais vermelhos
Esclareceram-se em verdes passagens,
Os carros pararam,
E eu passei.
Não sei qual é a pergunta,
Então ela não existe.