sábado, outubro 29

Uma noite

Uma garrafa de conhaque e um quarto escuro.
Tudo o que pode ser ouvido: o barulho do ar na garrafa,
Um eventual suspiro, o líquido descendo angustiado na garganta, grosso, e
Algum barulho crepitante da brasa de um cigarro.

Os braços apoiados nos joelhos,
A garrafa entre os pés e
Mil frases presas na queimação do drink.
O copo já não existia, e o que resolvia o problema era o gargalo.

Por algum mistério a cabeça pesada levanta,
Olha em volta à procura de um motivo.

Nada.

Novamente a cabeça cai entre os ombros como um pênis murcho.
Nada é mais estúpido que o sexo nessas situações.

Sem nenhuma perturbação.
A calmaria antes da tempestade,
O céu fica mais negro antes de nascer o dia.
Mil outras frases prontas foram vomitadas por sua consciência,
Como mais tarde talvez faria sua boca,
Contra-argumentando todas as bobagens que sua mente engolira.

Algumas vezes a paz perturba mais que a guerra

Naquele corpo
A paz era uma guerra interna.

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