domingo, novembro 20

O mesmo

Numa rua suja,
Imunda, na verdade.
Incrivelmente podre.
Eu percebi que algo havia mudado.
Não sei o que era,
Mas eu percebia o mundo de um jeito diferente.
Andei pela rua toda.
Talvez eu houvesse mudado,
Fosse outra pessoa.
Finalmente havia conseguido.
"Por favor, senhor
Onde fica o metrô?"
Ele disse
"Metrô? Meu deus, cara
Fica três ruas pra lá."
Sabia que havia algo errado.
Eu errei a rua.

terça-feira, novembro 15

Pérola para poucos

    Outro dia enquanto eu andava na rua, vi um sujeito pedindo dinheiro. Como de costume eu não dei nada para ele. Não gosto de pensar que tem gente ganhando dinheiro fácil assim.Certo, ele realmente precisa de alguns trocados. Mas não vejo ele tentando fazer nada além de mendigar algumas piedades. Não demorei mais do que alguns passos para encontrar um diamante jogado no chão. Logo ali, perto do pedinte. Várias pessoas passavam por ele, mas ninguém fazia absolutamente nada.
    Eu me abaixei, peguei e ergui contra o sol. Quando o brilho da jóia se espalhou pela rua, todos pararam para olhar. Alguns diziam que era deles. Mas eu sabia que não era, isso bastava para mim.
    Talvez não fosse meu também, mas fui eu quem encontrou, pegou e trouxe aos olhos do mundo aquele diamante. Talvez nem fosse um diamante de verdade. Talvez nem valesse um centavo furado. Mas para mim nem importava nada disso.
     Eu havia encontrado uma jóia na rua. Criado basicamente uma jóia a partir do éter. Mesmo que não fosse verdadeira, valeria a pena.
Ninguém olhou para o diamante no chão, nem o mendigo que estava do lado dele. Nem ninguém. Depois que Colombo quebrou o ovo, todo mundo viu que era fácil colocá-lo de pé. Mas até isso ser feito, era impossível.
    Este diamante pode até ser falso. Mas que ficou bonito. Isso ficou.