quinta-feira, maio 31

Ecce Homo

Termino de comer meu cup noodles.
Acendo um cigarro e bato as cinzas dentro do copo.
A garrafa de coca cola está vazia.
Um tímpano tampado com um fone de ouvido.
Meias e moletom pretos, camiseta e calça jeans azul.

Sou um clichê ambulante.
Eu sei. Eu sei.

A fumaça entra no meu olho.
Eu olho para a varandinha do apartamento:
Só vejo um pedaço do céu.
Todo o resto está tampado por prédios.
Fecho os olhos e não vejo nada.

Bato as cinzas no copo de novo.
Respiro fundo e limpo a garganta.
Olho para o pacote de queijo ralado.
Suspiro.

Ouço vozes em meu ouvido de pessoas que não estão aqui.
Ouço pessoas conversando vários andares abaixo.
Tiro o fone de ouvido.
Uma frase me vem a mente:
"Confuso
Demasiado confuso".
A

ARO

A RUA

ARRUAÇA

A RUA SABE!

sexta-feira, maio 4

Um sorriso.


Por falta de coragem eu me arrasto pelos minutos
Como quem rasteja até a privada e vomita o mundo.

Se o senhor, ou a senhora, me permite, é claro.
Vou ali regurgitar todas os sapos que engoli para não exigir o silêncio.
Com um argumento falacioso qualquer,
Só pelo prazer de degustar a apatia:
Não me importo.
Não faço questão de transparecer isso.
Apenas sorrio e concordo.

Tem toda a razão, senhor(a).
Não devo ser tão pessimista.
A vida é boa.
Bela. Bonita. Digna. Justa.
Com certeza.
Eu não diria melhor.

Só tem uma perninha saltando pela minha boca:
O problema é chamar isso que a gente vive de vida.

(Para Lucas Ribeiro)